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Sergipe está em quinto lugar no ranking entre os Estados que apresentam taxa de detecção de sífilis em gestantes acima da média nacional, conforme aponta o último boletim do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde.

Esse tipo de IST, conforme análise do MS, representa um problema de saúde pública em todo o mundo, na medida em que estão entre as infecções transmissíveis mais comuns e atingem potencialmente a saúde e a vida de milhões de pessoas.

Um impacto direto ocorre especialmente sobre a saúde reprodutiva e infantil, ocasionando consequências como infertilidade e complicações na gestação e no parto, morte fetal e diversos agravos à saúde da criança.

Além disso, um dos impactos indiretos da infecção por uma IST é o aumento do risco de transmissão sexual do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Em análise, o gerente do programa IST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Almir Santana, considerou os números extremamente preocupantes.

Segundo ele, cerca de 300 bebês nascem com sífilis por ano em Sergipe. “Se está detectando mulher grávida com sífilis é porque houve um aumento na testagem. Mas o grande problema é que está existindo falha no pré-natal. A doença está sendo descoberta de forma tardia. Há uma necessidade urgente de melhorar o pré-natal”, destaca Almir.

Segundo o gerente, o pré-natal deve se iniciar de maneira imediata após a confirmação da gestação, e no mínimo três exames devem ser feitos, o que não está ocorrendo. “Muitas mulheres estão começando o pré-natal já no terceiro, quarto ou quinto mês. Esse é um ponto. O segundo ponto é que está sendo descoberta a sífilis quando a mulher chega na maternidade. Tem que descobrir antes, e não na maternidade. Outro fato é que, para mudar esse quadro da sífilis, precisa do envolvimento do parceiro da gestante. A gravidez não é só dela. Então, o parceiro também tem que fazer o pré-natal, com realização de exames de sífilis, incluindo HIV, hepatites”, chama atenção Almir. Com a doença sendo descoberta de maneira tardia, aumentam os riscos de o bebê ser atingido, como tem ocorrido em Sergipe, conforme aponta Almir. “Quando a gestante não é tratada, vai nascer um bebê com sífilis. Nós estamos com nascimentos de bebês com sífilis bem preocupante, com uma média de 300 casos por ano. Isso é um péssimo indicador. Significa que está falhando o pré-natal”, reitera.

Por Laís de Melo

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